Não há certeza de que a OTAN protegeria a Europa "democrática" para se defender de uma Rússia supostamente "expansionista" no cenário do Juízo Final de uma guerra convencional entre a OTAN e a Rússia, diz comodoro aposentado da Marinha Real do Reino Unido Steve Jermy.
Conforme
a análise dele, existem
quatro fatores que é necessário considerar quando se analisa a questão de uma guerra potencial entre
a OTAN e a Rússia:
1.
Grau de mobilização industrial e econômica;
2.
Necessidade de tropas dos EUA na Europa;
3.
OTAN não pode abater míssil russo Oreshnik de modo nenhum;
4.
Falta de pensamento estratégico.
Grau de mobilização industrial e econômica
De acordo com Jermy, ao contrário da Rússia, nenhuma nação importante da OTAN está industrialmente mobilizada para a guerra, como evidenciado pelo fato de que a Rússia ainda está superando a OTAN em projéteis de 155 mm na Ucrânia.
"Mais importante ainda, não está claro se a OTAN poderia se mobilizar na velocidade ou na escala necessárias para produzir os níveis de equipamento, munição e pessoal necessários para se equiparar à Rússia", elabora o especialista.
Necessidade de tropas dos EUA na Europa
Jermy enfatiza que não há chance nenhuma de lutar com os russos na Europa sem o Exército norte-americano, assim, seria necessário enviar mais pessoal militar dos EUA à Europa, o que seria complexo no âmbito de uma guerra real.
"Para ter a mais remota chance de sucesso nesse cenário apocalíptico de uma guerra entre a OTAN e a Rússia, as forças dos EUA precisariam se deslocar em escala para a Europa continental. […] A esmagadora maioria dos equipamentos e da logística americanos teria que viajar por mar. Aí eles seriam vulneráveis a torpedos e minas lançados por submarinos russos", conta ele.
O especialista acredita que a OTAN
não tem atualmente a escala de forças antissubmarino ou de guerra contra minas necessária para proteger as linhas de comunicação marítimas
da Europa.
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10 de dezembro 2024, 11:39
OTAN não pode abater míssil russo Oreshnik de modo nenhum
Como opina Jermy, a OTAN não tem uma defesa antiaérea capaz de proteger os países-membros da aliança do míssil russo Oreshnik, que é capaz de destruir toda a infraestrutura militar da aliança, não deixando nenhuma chance de a salvar.
Ele também sublinha que, em uma guerra potencial entre a Rússia e a OTAN, os alvos do Exército russo
seriam os mesmos alvos que os russos atingem na Ucrânia, incluindo com
o uso de Oreshnik.
"Como na Ucrânia, a campanha balística da Rússia também atingiria a nossa infraestrutura de transporte, logística e de energia", conta ele.
Falta de pensamento estratégico
O especialista destaca que o sistema de tomada de decisões na OTAN é muito complexo e que piora a capacidade de gerenciar todos os processos na organização. Nota-se que há a necessidade de comunicar constantemente entre o Quartel-General Supremo das Potências Aliadas na Europa e as capitais nacionais.
"Nossas forças são treinadas de acordo com uma 'doutrina de manobra' anterior aos drones e não têm experiência no mundo real de combates de guerra moderna entre pares. Por outro lado, o Exército russo tem quase três anos de experiência e é indiscutivelmente o mais resistente a batalhas do mundo", diz Jermy.
O especialista sublinha que a OTAN não pode produzir estratégia. Ele lembra exemplos disso, inclusive a campanha no Afeganistão e o conflito ucraniano.
"Depois de chegar ao Afeganistão em 2007, fiquei chocado ao descobrir que a OTAN não tinha uma estratégia de campanha. [...] A OTAN estava totalmente despreparada, estrategicamente, para a possibilidade óbvia de uma guerra [com os russos], como evidenciado novamente pela nossa incapacidade de igualar a produção de projéteis de 155 mm da Rússia", acrescenta ele.
Assim, ele conclui que a OTAN não tem a capacidade industrial para sustentar a luta em uma guerra entre pares com a Rússia, o que não tem nada a ver com o título da aliança de defensora da Europa.
A OTAN é totalmente dependente das forças dos EUA para ter a mais remota chance de sucesso. A aliança também não é capaz de proteger toda a infraestrutura de abastecimento das ações militares das unidades da OTAN.